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10 outubro, 2017

Sessão Solene de São Francisco de Assis

Na noite do dia 10 de outubro de 2017, a Fraternidade do Seminário São Francisco de Assis se reuniu no Grêmio Literário Santo Antônio para a realização da Sessão Solene de São Francisco de Assis.
A Sessão contou com apresentações musicais e poéticas dos Agremiados da Academia e com a prédica do Orador da noite, o Agremiado Felipe Zaros Granusso. Que segue abaixo:

“Quero mandar-vos todos para o paraíso” (São Francisco de Assis).
Saúdo com grande estima a mesa diretora, composta pelo Presidente Mateus de Oliveira, pelo secretário Odirlei Luis Possa Fante e pelo diretor Frei Alberto Eckel Junior. Saúdo também aos demais aqui presentes.
Há poucos dias estivemos em festa. Ainda hoje, com grande carinho, celebramos.
A ele não são necessárias introduções. Ele toca cada um de nós de uma maneira muito pessoal. É impossível calcular sua importância em nossas vidas.
Ele é o vínculo que nos une aqui, o grande exemplo de vida que desejamos seguir.
Para mim é um privilégio falar sobre São Francisco de Assis.
No mundo todo, no dia quatro de outubro, um incontável número de pessoas estava unido em devoção, gratidão e alegria. Milhares de seguidores celebraram a vida de nosso pai seráfico.
São Francisco foi um jovem como todos nós, que tinha seus vícios e pecados, tinha sonhos de bem aproveitar a vida que o mundo oferece. Mas um dia se deparou com a presença de Deus em sua vida e com muito fervor se propôs a segui-lo. Assim transformou sua vida, a vida das pessoas com quem conviveu, a vida da Igreja e continua a transformar a vida de muitos como nós.
 São Francisco nunca foi tão necessário como no mundo de hoje e também nunca foi tão condizente com os caminhos da Igreja de hoje. Por isto, farei minha argumentação em três momentos: Francisco e seu seguimento a Cristo, sua busca de pobreza e humildade e sua presença na Igreja de hoje.
Para comtemplar a vida de Francisco, deve-se, antes de qualquer coisa, olhar para Jesus Cristo. Não existe São Francisco sem Cristo. Seu propósito de vida se resume em seguir seus passos.

Na Regra Bulada, capítulo I, encontramos: “A Regra e vida dos frades menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade”.

De seu contato com o Evangelho, Francisco teve a certeza de que sua missão era seguir os passos de Cristo, e o que atraiu e continua a atrair tantos seguidores é como ele viveu este propósito com tamanha perfeição e os frutos que assim foram alcançados.
Ao escrever sobre Francisco, Poulenc diz: “A vida de São Francisco apareceu a seus contemporâneos antes de tudo como um momento de rejuvenescimento da Igreja. A palavra e os exemplos do Filho de Deus feito homem e dos seus apóstolos eram novamente proclamados ao mundo em seu vigor original e de modo acessível a todos (...) Os fiéis podiam agora ter novamente, diante dos olhos, uma imagem autêntica da perfeição. Sem sombra alguma podiam contemplar a imagem de Cristo crucificado, verdadeiro espelho de perfeição.”
Frei Fidêncio Vanboemmel, nosso Ministro Provincial, em decorrência da festa da Estigmatização de São Francisco de Assis, escreveu nas Comunicações: “Francisco de Assis, perfeito imitador de Jesus Cristo, mais do que ninguém, se serviu da Palavra de Deus e nela encontrou seu caminho de luz. Fez da Palavra de Deus o seu itinerário espiritual e, neste caminhar, a Palavra de Deus o capacitou para toda boa obra”.
Neste seguimento de Cristo, São Francisco escolheu por companheira de caminhada a irmã pobreza. Tinha esta como a maior dentre as virtudes.
Ele buscou em tudo viver e pregar a santa pobreza, entendendo que foi este o caminho pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu vir ao mundo.
Assim ele exorta à Santa Clara: “Eu, Frei Francisco pequenino, quero seguir a vida e a pobreza de nosso altíssimo Senhor Jesus Cristo e de sua Mãe santíssima e nela perseverar até o fim; e, rogo-vos, senhoras minhas, e dou-vos conselho para que vivais sempre nesta santíssima vida e pobreza. E estais muito atentas para, de maneira alguma, vos afastardes dela por doutrina ou conselho de alguém”.
A radicalidade com que Francisco viveu a pobreza espanta a todos, parece algo impossível em nosso mundo.
Francisco deixou de ser um jovem que sonhava ser cavaleiro e conquistar grandes riquezas e passou a ser um pobre mendicante que não queria nada para si. Seria pouco dizer que isto parece loucura nos dias de hoje, também foi loucura em seu tempo.
O engano é olhar para esta situação como alguém que abre mão de seus bens para passar fome. Ele vive uma grande pobreza material, mas este não é seu objetivo. Francisco abre mão de algo bom para alcançar algo muito melhor.
Francisco vive uma vida de verdadeira intimidade com Cristo. Compreende a graça de viver para Deus e assim deixa o mundo. Sua pobreza externa, aquela que facilmente notamos não é nada comparada ao tesouro que ele conquista.
A pobreza é uma herança, no capítulo VI da Regra Bulada, ele nos diz: “Esta é aquela sublimidade da altíssima pobreza que vos constituiu, meus irmãos caríssimos, herdeiros e reis do reino dos céus, vos fez pobres de coisas, vos elevou em virtudes. Seja esta a vossa porção que vos conduz à terra dos vivos. Aderindo totalmente a ela, irmãos diletíssimos, nenhuma outra coisa jamais queirais ter debaixo do céu em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
A pobreza vivida por Francisco está intimamente ligada à humildade. Essas são a duas primeiras virtudes cantadas nos, Louvores às Virtudes.
É uma atitude de humildade que tem início em sua relação com Deus e se estende a tudo e todos. Francisco se considera um mísero vermezinho, o menor entre os menores, pois sempre levou diante de si a presença de Deus. E realmente nada somos em comparação a tão sublime Senhor.
Assim Francisco transmitiu valores que realmente mudaram a vida de muitos e que são extremamente necessários nos dias de hoje.

Francisco e seus valores continuam vivos no decorrer da história através de seus frades e seu trabalho evangelizador. Testemunhamos esta verdade nos freis aqui presentes e desejamos também contribuir com este legado.
Nos últimos anos, de maneira especial, os franciscanos vivem um tempo de graça na Igreja. Com alegria vimos o Cardeal Jorge Mario Bergoglio escolher para seu pontificado o nome de Francisco. E temos acompanhado um Papa que não só tem como exemplo, mas vive e prega ao mundo a espiritualidade franciscana.
Ele tem trabalhado com insistência em uma renovação rica e necessária em todo o mundo. E tem exaltado em seu modo de proceder a vida de São Francisco e de toda família franciscana.
Mais uma vez podemos ver, como essência de bem viver, a pobreza e humildade naquele que é o guia e exemplo de todos aqui na terra.
Citações sobre São Francisco são recorrentes em seus trabalhos, assim como a preocupação com os pobres e menosprezados, o cuidado com “nossa casa comum”, como ele chama o planeta, o desejo de uma vida fraterna entre todos, acabando com a indiferença, criando a unidade.
Como não lembrar São Francisco ao ver o Papa abrindo as portas do Vaticano para que os pobres tenham um local para tomar banho, lavar suas roupas, para que tenham um mínimo de dignidade que não encontram na sociedade atual.
O pobre de Assis é tomado como modelo na Encíclica Laudato Si, que traz para a Igreja uma nova preocupação e maneira de atuar, muito condizente com as necessidades atuais.
Um Papa que luta fortemente pela paz, que tem como exemplo aquele que foi instrumento da paz.
Em sua homilia na missa de São Francisco de Assis em 2013 ele nos diz: “A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos. Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem toma sobre si o seu jugo, isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. E este jugo não se pode levar com arrogância, presunção, orgulho, mas apenas com mansidão e humildade de coração. Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a ser instrumento da paz, da paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus”.
Tenho falado de pobreza e humildade, de um seguimento radical a Cristo, mas sabemos que o mundo prega o poder, o consumismo descontrolado. Acompanhando nossos noticiários, é difícil imaginar viver fielmente o caminho que São Francisco trilhou. Difícil, é verdade, mas certamente longe de ser impossível.
Neste sentido o Papa Francisco é uma grande luz que nos enche de esperança e fé. A alegria com que celebramos e ainda aqui estamos a comemorar São Francisco nos mostra que é sim um caminho bom de ser trilhado. Os milhares de franciscanos que vivem este caminho e fazem a diferença na vida de tantas pessoas são prova de que é mais do que possível vivê-lo.
É na verdade muito rico e desejo verdadeiramente que possamos perseverar e crescer todos os dias neste ideal.
Para tanto, que ajudemo-nos uns aos outros buscando sempre o espírito de amor a Deus que guiou São Francisco, vivendo o seguimento de Cristo, em pobreza e humildade, como verdadeiros Frades Menores.
Encerro com as palavras de Francisco encontradas na Regra não Bulada, capítulo XVII:
“E restituamos todos os bens ao Senhor Deus altíssimo e sumo e reconheçamos que todos os bens são dele e por tudo demos graças a ele, de quem procedem todos os bens. E o mesmo altíssimo e sumo, único Deus verdadeiro, os tenha, e lhe sejam restituídos, e ele receba todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glória, ele de quem é todo o bem, o único que é bom”. Tenho dito. Muito obrigado.








16 maio, 2017

Grêmio Literário de Páscoa 2017

Grêmio Literário de Páscoa














                                                                                                              Equipe de Comunicação
                                                                                                     Realizado no dia 21 de Abril 2017

29 março, 2017

Discurso sobre A civilização Inca



Cântico da donzela infiel, presa ao cadafalso
Ò pai condor, agarra – me,
Irmão falcão arrebata-me,
Anuncia-me à minha mãezinha.
Há já cinco dias
Que eu não como,
Que não bebo.
Pai, mensageiro,
Detentor dos sinais, mensageiro veloz,
Leva-me ao meu pai e à minha mãe.
Estrado ou tablado erguido em lugar
Público para nele se exporem ou se
Executarem os condenados; patíbulo,Forca.

(Publicado por Human Poma De Ayala)

Com grande alegria saúdo a mesa diretora composta pelo: diretor
Frei Alberto Eckiel Junio, o presidente Mateus De Oliveira, o secretário Odirlei Luiz Possa Fante, faço saudações às demais aqui presentes. Em especialmente os visitantes Dona Marli Lopes, e o senhor João Da Silva Cruz pais do seminarista Miguel Lopes Da Silva Cruz,
Hoje venho falar a vocês sobre uma civilização de pequena estatura, pele morena, variando do moreno claro ao escuro, cabelos pretos imberbes...                                             
       Os Povos Incas
Para melhor entendimento de meu discurso, vou dividi–lo em três tópicos.
·         Cultura inca
·         Religião inca
·         E múmias incas
Os incas habitavam a cordilheira dos Andes, na região do atual Peru, entre os anos de 3.000 a.C. e aproximadamente 1.500 da nossa era.
Eles faziam vários objetos utilizando o ouro, principalmente, esculturas de animais, deuses e representações da natureza. O artesanato inca também foi um elemento importante da cultura, faziam cestos e rede com fibras vegetais, pintavam em tecidos, utilizando tintas naturais (sangue de animais, minério, carvão, etc)
Na arquitetura utilizavam a pedra como base de construções, embora habitassem uma região montanhosa, onde a dificuldade de construir é maior, construíram templos, diques, canais de água, casa, palácios, e observatórios astronômicos.
Para ligar as construções, eles fizeram umas redes de estradas de pedras, e estão entre os tipos de construções mais complexas. Os incas criaram um objeto chamado quipo, que servia para realizar contagens de objetos, pessoa, impostos e alimentos. O quipo consistia numa série de barbantes coloridos com nós, cada cor e cada nó tinha significado e valores diferentes. Os incas uma usa uma espécie de flauta de bambu para tocar músicas, as musicas eram criadas para simples diversão ou em homenagem aos deuses e a natureza. Com isso entro no meu segundo tópico os, os principais deuses da religião inca: INTI, deus supremo na religião, era o deus do sol que exercia a soberania no plano divino. Era o deus mais popular, no império inca sendo adorado em vários santuários. VIRA COCHA, de acordo com religião inca era o mestre do mundo, surgiu das águas e criou o céu e terra. Era um deus nômade e tinha com companheiro o pássaro INTIMAMA QUILLA, era a esposa do deus INTI. Mãe lua, mãe do firmamento tinha uma estatua do sol.
PACHA MAMA, também conhecida como a mãe Terra, esta deusa era encarregada de proporcionar fertilidade à agricultura, PACHACAMAC, era a reedição de VIRACOCHA, porém cultuado e venerado na costa central do império inca. Era conhecido como o deus dos terremotos. MAMA SARA, era a deusa mão do milho, principal alimento dos incas. WACON, deus maligno e cruel, era o responsável pela seca na costa do Peru. Os incas acreditavam que este deus era devorador de crianças. SUPAY era um deus que habitava as profundezas da Terra e o mundo subterrâneo dos mortos. Os incas consideram-lhe como uma espécie de demônio. MAMACOCHA era a deusa mãe do mar. Era cultuada principalmente nas regiões costeiras do império inca. Recebia oferendas e culto para acalmar as águas bravas e favorecer a pesca. Representava tudo o que era feminino. Dando então continuação entro no meu 3º tópico. Os testes feitos em três múmias encontradas na Argentina nos dão novas informações sobre a prática inca do sacrifício de crianças. Os cientistas revelaram que drogas e álcool desempenham um papel fundamental nos meses e nas semanas que antecederam a morte das crianças.
Experimentados com cada uma delas, um pouco mais velhos do que os outros, aparentando já ser adolescentes, sugerem que ela estava fortemente sedada pouco antes de sua morte: registros espanhóis sugerem que as crianças eram sacrificadas por diversas razões (marcos importante na vida dos incas, em tempos de guerra ou catástrofes naturais, além de existir um calendário de rituais).
Os restos mumificados foram descobertos em 1999. Entre as três crianças estavam uma adolescente de 13 anos, um rapaz jovem, uma menina, que se imaginava ter 4 ou 5 anos de idade. Seus restos datam cerca de 500 anos atrás. Os pesquisadores usaram testes para analisar as substâncias químicas encontradas no cabelo das crianças. Eles descobriram que os três haviam consumido álcool e folhas de coca (da qual a cocaína é extraída), nos meses finais de suas vidas.
Uma análise de cabelo da adolescente, que era maior do que o cabelo das vítimas mais jovem revelou que os testes feitos em suas longas tranças revelaram que seu consumo de coca aumentou acentuadamente no ano anterior a sua morte.
Descobriu-se que ela estava fortemente sedada antes de ser levada (assim como nos as outras crianças) para o vulcão, colocada em seu túmulo e deixada para morrer (a montanha fica a mais de seis mil metros acima do nível do mar), ela faleceu calmamente. As múmias estão agora no museu de arqueologia de Salta, Argentina.
Neste meu discurso usei palavras não usuais: Cadafalso significa estrutura provisória de madeira; Condor significa a divindade do Sol; Arrebata significa explosão de sentimentos; Estrado significa pequeno piso; Tablado significa estrutura de madeira e Patíbulo significa palanque.
Assim como os incas que contribuíram muito na divulgação do conhecimento, coloquemos então nossos conhecimentos em prática porque para alcançar o conhecimento é preciso coragem para crescer e tornar-se o que realmente você é.
Assim, concluo meu discurso com uma frase de Napoleão Bonaparte: “Uma sociedade sem religião é como um navio sem bússola”
Tenho dito e muito obrigado.

Agremiado 2ºano - Vinicius José A. da Silva

24 março, 2017

Discurso sobre Sonhos


“[...] A mim parece que estou tentando contar-lhes um sonho – em vão, porque nenhum relato de sonho sabe transmitir a sensação do sonho, aquela amálgama de absurdo, surpresa e admiração no tremor de quem se debate, aquela impressão de ter sido capturado pelo inacreditável, que é a própria essência dos sonhos. [...]”.
Trecho extraído do livro “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad.

É com nostálgica alegria que eu saúdo nesta noite a mesa diretora, composta pelo diretor, Frei Alberto Eckel Junior, pelo presidente, Mateus de Oliveira, pelo secretário, Odirlei Luiz Possa Fante e estendo minhas cordiais estimas e saudações a todos os Aspirantes, Seminaristas e Frades aqui presentes, em especial, Frei Robson Luiz Scudela e Frei Elias Dalla Rosa.

Hoje venho vos falar de um tema tão fascinante, quanto misterioso e enigmático, os Sonhos. Afinal, de onde se originam essas ilusões noturnas que preenchem nosso sono? Haveria alguma finalidade para elas? Qual a verdadeira razão delas existirem?

Para uma melhor compreensão de minha prédica, dividi-la-ei em quatro tópicos, a saber:

- Uma problematização histórica e literária dos sonhos na história da humanidade;
- A origem e fonte dos sonhos e pesadelos;
- A teoria freudiana do sonhar;
E por último abordo, como curiosidade, um fenômeno recém-explorado, os Sonhos Lúcidos.
Acrescento ainda uma breve consideração explicativa sobre o termo “onírico”, que designa tudo aquilo relativo aos sonhos e que eu empregarei como um sinônimo em meu discurso.

Dito isso, vamos à prédica.

Discorro inicialmente sobre a compreensão etiológica dos sonhos ao longo da história, a começar pela visão pré-histórica herdada pelos povos da Antiguidade Clássica, que relacionavam o sonho com o mundo dos seres sobrenaturais e constituía revelações de anjos e demônios, além de predizerem o futuro.
Todavia, obras de Aristóteles, como o “Tratado sobre a Alma”, já versavam sobre os sonhos como objeto de estudo psicológico, definindo-os como a atividade de quem dorme, na medida em que esteja adormecido e podemos encontrar nessas obras, antecipações das mais audazes teorias freudianas. Já para os gregos, os sonhos eram uma dádiva de Prometeu, um titã afeiçoado aos homens que, segundo a mitologia, além de doar a eles o fogo roubado dos deuses, doa também as formas das artes divinatórias, a esperança e os sonhos. Existiu ainda uma classificação dos sonhos por Macróbio e Artemidoro, que persistiu durante séculos e dividiam os sonhos em duas classes, uma influenciada pelo presente ou pelo passado, outra supostamente previa o futuro e era passível de interpretação. Neste ponto, o trabalho de interpretação ambicionava importantes consequências, mas nem todos eram imediatamente compreensíveis, levando à necessidade de se criar um método, mediante o qual o conteúdo ininteligível de um sonho pudesse ser substituído por outro compreensível e significativo.
Na literatura, encontramos, por exemplo, na Bíblia, relatos primitivos de sonhos, como em Gênesis, os sonhos do faraó, interpretados por José, que revelaram ser uma profecia de sete anos de fome nas terras do Egito. Temos aí uma interpretação simbólica. Outro método de decifração pode ser descrito como o “método da decifração”, que trata o sonho como uma espécie de criptografia recheada de signos que podem ser substituídos por outros signos de significado conhecido, de acordo com um código fixo. Ambos os métodos são insuficientes quando se defrontam com sonhos incompreensíveis e confusos. Ainda no campo literário, a temática dos sonhos é amplamente retratada e discutida por incontáveis autores de diversas épocas, como Shakespeare, Homero, Cícero, Schopenhauer, Bion, Foucault, Nietzsche, Jung, entre vários outros que enfatizaram a vital importância dos sonhos, como menciona Burdach, que sem eles, por certo envelheceríamos mais cedo.
Em 1899, o tema dos sonhos ganhou um novo enfoque com a revolucionária e absolutamente inédita obra de Sigmund Freud, “A Interpretação dos Sonhos”, na qual ele propõe uma teoria inovadora do aparelho psíquico, descrevendo os fundamentos da clínica psicanalítica, tudo isso a partir da análise e estudo dos sonhos, a manifestação psíquica inconsciente por excelência, o que me faz entrar no meu segundo tópico, já guiado sobre a ótica freudiana: A origem e fonte dos sonhos e pesadelos.
Primeiramente, é importante ressaltar que todos sonham, todos os dias, diversas vezes por noite, uma média de 3 a 7 sonhos diários com duração aproximada de 5 a 20 minuto. Uma pessoa passa em média 6 anos de sua vida sonhando e de acordo com estimativas, 95% dos nossos sonhos são esquecidos quando despertamos, pois as mudanças que ocorrem em nosso cérebro durante a noite sobrecarregam nossa memória, mas também depende da intensidade, da singularidade e do interesse mental em guarda-los.
Análises cerebrais de pessoas adormecidas mostram que o lobo frontal região-chave na formação da memória está inativo durante a fase REM do sono, na qual ocorrem os sonhos mais vívidos e também a paralização total dos músculos voluntários e pesquisas apontam que até os animais sonham. Mas afinal, qual a origem e fonte dos sonhos?
Uma das hipóteses evolutivas mais aceitas afirma que eles nos proporcionam experiências de vida por vezes muito valiosa, sem nos expor a possíveis riscos; também servem para descarregar o excesso de informações e resíduos que deixaram de ser importantes e ainda outra hipótese indica que o sonho é importante para a reativação de determinados circuitos cerebrais.
O conteúdo onírico, por sua vez, provém primariamente da vida de vigília, ou seja, do estado de quando estamos acordados e das influências que se absorvem inconscientemente desse período, principalmente do dia anterior e a origem desse material se disponibiliza das memórias e lembranças inacessíveis na vigília. Já os pesadelos, pressupõem a ativação do sistema nervoso autômico simultaneamente com o conteúdo de um sonho desagradável para aquela pessoa em particular. Não é, portanto, o sistema nervoso atuante, mas a carga emocional que faz acordar e quanto mais intensa e traumática a informação, maior a probabilidade de ser incorporada ao universo dos sonhos por determinado período.
Esses estímulos e fontes são inúmeros e dentre eles podemos citar, as Excitações sensoriais internas (subjetivas), como as alucinações hipnagógicas, ou “fenômenos visuais imaginativos” e os Estímulos somáticos orgânicos internos, como sensações musculares, respiratórias, gástricas, sexuais etc. Há ainda autores como Havellock Ellis, Strümpell, Binz, Hildebrandt e inclusive Freud, que compartilham da ideia que os sonhos extraem seus elementos dos detalhes casuais e insignificantes, dos fragmentos se, valor, daquilo que se vivenciou recentemente ou do passado mais remoto para compor o seu conteúdo.
Entro agora no meu terceiro tópico, a Teoria Freudiana do Sonhar, apresentando antes, duas teorias interessantes que abordam a natureza dos sonhos de forma peculiar. Primeiro, para o filósofo Heidegger, o sonho é a extensão da vigília e seu conteúdo é formado por elementos que devem ser resolvidos no próprio estado desperto, como se assemelha a ótica da gestlat-terapia, para a qual os sonhos são gerados com a função de externalizar conflitos e o alienamento do sonhador.
Na análise psicanalítica freudiana, os sonhos são constituídos para possibilitar uma gratificação parcial das pulsões do Id, por meio da descarga consciente das mesmas, concluindo que todo sonho, invariavelmente é a realização de um desejo com as diversas implicações psíquicas a ele associadas, especialmente os desejos sexuais, realizados de forma velada e simbólica.
Seus mecanismos de formação, por sua vez, constituem-se na Distorção, que expressa os pensamentos oníricos de forma alterada, no Trabalho de Condensação (em vez de dois elementos, um único elemento intermediário, comum a ambos penetra no sonho), no Trabalho de Deslocamento (substituição de alguma representação específica por outra extremamente associada a ela em algum aspecto) e ainda na Elaboração Secundária, que procura configurar o material que lhe é oferecido a algo semelhante a um devaneio, ou seja, pretende torna-lo racional e lógico. Por fim, seu método de interpretação propriamente dito é denominado “Livre-associação”, pelo qual se decompõem os elementos do conteúdo onírico e distingue-os em “conteúdo manifesto” (aquilo que foi sonhado) e “conteúdo latente” (o seu significado) a ser interpretado, que implica em representações simbólicas, inibição dos afetos, hipermnésia, traumas, impressões da infância, regressão, recalque, doenças mentais etc. E conclui que não existem “sonhos inocentes”, pois todos têm um fundo sexual e ainda que os sonhos são os “guardiões do sono” e tem a função de prolonga-lo e não perturbá-lo.
Contudo, com relação a possíveis corroborações das abordagens psicológicas com a neurociência, apenas foram abarcadas e apoiadas algumas visões de Freud que podem ser empiricamente demonstradas.
Chego assim ao meu quarto e último tópico de curiosidade sobre os Sonhos Lúcidos. Podemos defini-lo inicialmente como o ato de acessar o estado mental dos sonhos, com a capacidade de reflexão e a consciência de que aquela experiência é meramente um sonho próprio, ou seja, um estado mental dissociado, sustentado pela estrutura da fase REM do sono, na qual se equivale a outros estados híbridos do cérebro, como a paralisia do sono, alucinações hipnagógicas etc. e pode ser uma consequência evolutiva.
Pesquisas do Instituto Max Plank, na Alemanha, através de exames de Ressonância Magnética, encefalogramas e mapeamento de imagens durante os sonhos lúcidos, descobriram que estes desencadeiam padrões de atividades em regiões específicas do cérebro, ocorrendo um aumento da atividade e capacidade cognitiva junto ao lobo parietal, resultando na capacidade de memória dos sonhadores lúcidos. Um estudo de 1988 descobriu ainda que 20% das pessoas afirmam ter sonhos lúcidos todo mês e outros 50% disseram já ter tido um sonho assim pelo menos uma vez, ou seja, já conseguiram acessar o cérebro num estado diferente da vigília, um fenômeno que pode apontar uma nova fronteira no estudo dos sonhos, da memória e da consciência.
Encerrada minha explanação teórica, apresento agora como ação concreta para a Assembleia, técnica para se experimentar um sonho lúcido:
- Primeiro: mantenha um “diário de sonhos”, anote pelo menos um sonho por dia para exercitar sua memória dos sonhos, permitindo sua mente sensibilizar-se como o reconhecimento daquela realidade;
- Segundo: escolha um método. Existem vários, porém, indico aqui o método do “Sonho Lúcido induzido mnemonicamente”; funciona deste modo: quando estiver quase dormindo, comece a pensar que você está começando a ficar lúcido. A ideia é reforçar a intenção de perceber que você está dormindo no seu sonho e repita a frase; “Eu vou ter um sonho lúcido esta noite.” As maiores chances de acontecer são quando você acorda no meio da noite, levanta por alguns minutos e volta a dormir com essas intenções e você terá sucesso.
- E por último: cheque a realidade, mantenha sua mente atenta enquanto adormece; ligue e desligue interruptores, olhe para as mãos, observe-se em espelhos, olhe as horas num relógio etc. e então, com essas práticas, você poderá ser capaz de ter um sonho lúcido.
Encerro assim minha prédica, citando as fontes utilizadas por mim, a saber: o livro “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud, o artigo “Os Sonhos e a literatura: Mundo Grego”, de Adélia Bezerra de Menezes, o artigo, “Os sonhos nas diversas abordagens psicológicas: apontamentos para uma prática psicoterápica”, de vários autores e o site Galileu, sobre “A ciência dos Sonhos Lúcidos” e cito por fim um trecho de “O Mundo como Vontade e Representação”, de Schopenhauer:

"A vida e os sonhos são folhas de um livro único: a leitura seguida dessas páginas, é aquilo a que se chama a vida real; mas quando o tempo habitual da leitura (o dia) passou e chegou a hora do repouso, continuamos a folhear negligentemente o livro, abrindo-o ao acaso em tal ou tal local e caindo tanto numa página já lida como sobre uma que não conhecíamos, mas é sempre o mesmo livro que lemos [...]”.

Obrigado pela atenção e boa noite!

Agremiado Aspirante - Cássio Jardim Nogueira Cobra

05 dezembro, 2016

O PEQUENO PRÍNCIPE

Discurso no Grêmio Literário  – O PEQUENO PRÍNCIPE




“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Frase do livro O Pequeno Príncipe.
Caros irmãos, falarei a vocês sobre as duas realidades e o objetivo, que são expressos no livro O Pequeno Príncipe.
Bem, vocês podem perguntar: Por que escolhi uma obra infantil para a minha prolação? Posso responder-lhes que dela pude refletir a realidade que vivemos os fatos que acontecem no mundo e como podemos mudar; fazer o novo para nós e a cada indivíduo.
Então, divido o meu discurso em três tópicos, sendo o primeiro: “As Pessoas Grandes”; o segundo: O Significado de Ser Criança; e o terceiro: O Essencial.
No meu primeiro tópico, falando das “Pessoas Grandes”. Mencionarei personagens participantes da história do Pequeno Príncipe, que revelam características do próprio adulto, ou melhor, do “homem sério”. Logo, os que me chamaram mais a atenção foram: o Rei, o Vaidoso, o Bêbado e o Empresário. O primeiro, então, cria um aspecto autoritário e egoísta, do qual resulta numa “soberania”; sente-se maior que as pessoas e tenta controlá-las para satisfazer somente a sua vontade, é um ditador. No segundo, é mostrada a grande importância pela aparência, a estética; revelando um egocentrismo, do qual a pessoa é melhor em tudo, um ser perfeito e “imortal”. Isso é revelado, inclusive, quando o menino príncipe pergunta o que é o ato de “admirar” e o Vaidoso responde com muito orgulho: “Significa reconhecer que eu sou o homem mais belo, mais bem-vestido, mais rico e mais inteligente de todo o planeta”. Sabendo que apenas ele morava naquele mundo, demonstra claramente que esse está preso a um lugar só seu; como dizem: está no seu “mundinho”; das vaidades. O terceiro é o Bêbado, tem uma vida triste e amargurada, não quer mais fazer algo; não pensa nem age, tenta só ficar no seu canto fazendo o que mais gosta: beber para esquecer os seus erros cometidos; pois a esperança de seguir em frente é inexistente, foi cessada, acabou. Como tinha dito ao garoto: “Bebo para esquecer que tenho vergonha de beber”. Por quarto, o Empresário faz-se como uma pessoa administradora, sua vida é resumida no “possuir mais”; querer todas as coisas do mundo, ou mesmo, do universo. Ele somente pensa em ganhar algo para que sua quantidade de propriedades aumente, é ganancioso, não tem tempo para nada, nem para fazer exercícios físicos – disse ao menino – que, por falta disso, teve crise de reumatismo. Assim, as coisas que ganha só poderá utilizar para duas funções: Contar e Recontar.
Agora passo para o segundo tópico, questionando novamente vocês: O que é ser criança? Podemos pensar, primeiramente, naquele ser humano pequeno que gosta de brincar, é curioso, chora por uma coisa que deseja, ou mesmo, procura intensamente aquilo que perdeu? Isso está totalmente correto. Assim é ser uma criança; as crianças são felizes, pois sabem o que procuram. Como foi revelado na parte que o menino encontra um manobreiro. Elas buscam saber mais, como já dito antes: são curiosas. Questionam seus pais, os parentes, os amigos com as perguntas: O que é aquilo? Que isso? Por que isso ocorre?... entre outras. Elas têm estima com o próximo, são grandes companheiras, ou seja, amigas; se veem alguém chorar vão ao encontro desse para acalmá-lo; são sentimentais, deixam-se colocar no lugar daquele que está precisando de ajuda, pensam em alguma solução. Não são sérias, brincalhonas sim, deixam todas as coisas ruins de lado para terem uma vida feliz, pois sabem que ao redor delas há pessoas que se preocupam, cuidam, amam e respeitam a todos. Elas constituem a nova geração, da qual tem pensamentos diferentes das “Pessoas Grandes”, pois se importam com o próximo, enquanto “os sérios” pensam em si mesmos, são egoístas, traiçoeiros, solitários, e, principalmente, gananciosos, só veem as coisas como propriedades deles. Posso lembrar também que, em uma das passagens do Evangelho segundo Marcos, inclusive de Mateus e Lucas, é mencionado o valor importantíssimo das crianças. Jesus disse aos seus discípulos: “Deixem as crianças virem a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas. Eu garanto a vocês: quem não receber como criança o Reino de Deus, nunca entrará nele”. Elas são imagem do humilde, o necessitado, que não tem ganância, nem quer o mal, deseja seguir Deus, porque sabe que Ele escuta o humilhado que grita por ajuda.
Por fim, começo o terceiro tópico, em que o autor do livro, Antoine de Saint-Exupéry, remete a frase que usei no meu exórdio; ele demonstra claramente qual o modo de acharmos o nosso essencial; não é pelos olhos, mas pelo coração. Um exemplo disso é a escolha que São Francisco de Assis fez para a sua vida inteira, ouviu o chamado de Deus em seu interior, deixou tudo que tinha por um único ideal: foi servir os seus irmãos necessitados e excluídos, os leprosos. Grandes exemplos que lutaram pelos seus ideais foram: Mahatma Gandhi, Martin Luther king, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Abraham Lincoln, Dom Oscar Romero, entre muitos outros. Não é fácil encontrar o essencial no mundo em que vivemos; essas pessoas que citei são exemplos disso, elas sofreram, mas não deixaram que os obstáculos as parassem, foram fortes até o fim. Alias, o ato de dominação, ou seja, alienação é constante no dia a dia; querem que nós nos tornemos “pessoas grandes”, alienadas, do qual não pensamos em viver e procurar nossos sonhos e objetivos, mas sim, termos o foco de obtermos um mundo somente nosso, onde há solidão e avareza. Sendo classificados como pessoas muito estranhas, como disse o principezinho quando visitou os planetas desconhecidos em uma viagem à procura de um objetivo: como cuidar de sua rosa. Essa se tornou a única no universo inteiro, ele deixou-se ‘cativar’ por ela, ficaram dependentes um do outro, formaram um laço, difícil de ser rompido. Isso demonstra a dependência que temos pelos outros, o amor em querer ajudar, ir ao encontro daqueles que precisam, tentar achar o essencial que Deus revela dentro de cada um de nós. Mas, o que será esse essencial? Saberemos quando agirmos para encontrá-lo.
Então, peço a vocês, meus irmãos, que se dediquem ao máximo para seguirem seus objetivos, buscarem seus sonhos, terem mentes abertas a tudo, para que, com as experiências, possam ganhar mais sabedoria, inteligência e amor. Sejam a nova geração, porque o ato de estar a serviço do irmão é o caminho que nos leva ao ideal procurado, porém apenas achado no interior de nós. Sejamos aqueles que querem mudança, para um mundo justo e igual, onde a fonte da esperança brota na comunhão, na união entre culturas, etnias e religiões.
Termino essa minha prolação com uma frase de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Tenho dito e muito obrigado.

Thierry Melo de Paula - Aspirante 3º Ano

11 setembro, 2016

5 Jovens são agremiados no Grêmio Literário Santo Antônio !

                                             

Na última sexta-feira ocorreu no Salão Nobre do Seminário São Francisco a agremiação de cinco jovens sendo 4 do Primeiro Ano e 1 do Terceiro Ano.



Após 7 meses de preparação esses rapazes tem a difícil missão de guardar e defender a norma culta da Língua Portuguesa, e é o Grêmio Literário que os ajudara nessa tarefa.
Na Sessão ouve a presença do Professor de Retórica Frei Marcos Estevam de Melo, os frades que pertencem a paroquia Santo Estevão de Ituporanga.


O Professor de retorica fez então suas ponderações a cerca da turma : se ela estava apta para exercer tal função o mesmo respondendo positivamente deu suas saudações de força e coragem.



No rito de Agremiação, os futuros agremiados foram interrogados pelo Presidente da Academia e em seguida prestaram o juramento oficial .


Apos o juramento aconteceu o discursos do Diretor da Academia Frei Alberto Eckel Junior, do paraninfo da turma Odirlei Luiz, e do Neoagremiado Vinicius José .



Ao término dos discurso ocorreu então as apresentações culturais:





Equipe de comunicação
(Fotos: Luiz Henrique Martinelli)


02 setembro, 2016

Discurso sobre Sexualidade Humana !


“A sexualidade é o engenhoso meio que o Criador escolheu para chamar as pessoas constantemente a sair de si mesmas e entrar em relação com outros”.
 Trecho do livro Sexualidade Humana

Saúdo nesta noite a mesa diretora composta por Frei Alberto Eckel Junior, Lucas Moreira Almeida, Franklin Matheus da Costa. Diretor, Presidente e Secretário, respectivamente.
Venho falar a vocês hoje sobre um tema que abrange todos os aspectos do homem, particularmente a aptidão a criar laços com os outros. Tomei por tema a sexualidade humana. Se me perguntarem por que falarei disso não saberia a resposta certa. Talvez o motivo seja quebrar alguns preconceitos como dizer que a sexualidade se resume no sexo.



Para entendermos melhor o sentido da sexualidade vou ler um documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, intitulado como declaração sobre alguns pontos da ética sexual: “A pessoa humana, segundo dados da pesquisa científica contemporânea, é tão profundamente afetada pela sexualidade, que esta deve ser considerada como um dos fatores que conferem à vida de cada um dos indivíduos os traços principais que a distinguem”. É do sexo efetivado, que a pessoa humana recebe aqueles caracteres que, no plano biológico, psicológico e espiritual, os fazem homem e mulher, condicionado por isso em grande escala, a consecução da maturidade e a sua inserção na sociedade. ’’
Ou seja, o homem é formado singularmente pela sua sexualidade. Logo em nenhum outro lugar no mundo vá existir outro Flávio, outro Odirlei, outro Éverton. E é através dela que nós alcancemos maturidade e nos inserimos na sociedade. Sei que está em pouco confuso, por isso dividirei minha predica em três partes, a saber:
·        Definição de Sexualidade;
·        Personalidade;
·        Castidade;

Dou inicio ao primeiro tópico: DEFINIÇÃO DE SEXUALIDADE.
A sexualidade humana é a manifestação do chamado divino à perfeição. Este chamado é dirigido a todos no ato da criação e enraizado no próprio cerne do ser. Desde o primeiro momento nos convoca no crescimento Intrapessoal e Interpessoal.  Intrapessoal porque impele a cada homem e mulher criar o homem e a mulher que estão destinados a Ser. Interpessoal porque chama a ir ao encontro do outro que sem o qual nunca se alcançará a integridade plena. Como todos os aspectos humanos a sexualidade está destinada a serem as nossas relações.
Ela não está isolada no físico e no biológico, acidental aos seres humanos, mas é parte integrante da nossa missão de comunicar-se aos outros. Cargo é expressamente proibido dizer que a sexualidade é manchada de culpa. Antes deve ser usada para facilitar o crescimento humano para a plena maturidade.
O maior exemplo de sexualidade integrada que temos é Jesus, nosso modelo, que soube mais que ninguém sair de si para ir ao encontro do outro, mas é claro que nada disso apaga nosso desejo de prazer.
Com isso entro no meu segundo tópico: PERSONALIDADE.
A sexualidade é um favor que impregna e constitui a estrutura da existência humana. Nisso está implícito a realidade de que nós “somos’’ corpo. E essa realidade molda nossa percepção de mundo. E dentro disso a sexualidade nos abre, nos faz presente no que não sou eu, mas é outro. E esse outro pode ser objeto ou sujeito. Ou seja, a sexualidade é o modo como minha realidade, minha subjetividade sai de si própria e vai ao encontro do outro sujeito. Não nascemos para sermos uma realidade, um acontecimento isolado, mas temos a necessidade de ir ao encontro do outro sujeito, do outro corpo.
Nesse encontro temos a copulação, sexo e o orgasmo que sem dúvida é a experiência mais satisfatória que realiza em nós uma das necessidades primarias do homem, o prazer sexual.
Psicólogos modernistas afirmam que esse encontro não se apenas nas relações HETEROSSEXUAIS, mas podem se houver nas relações HOMOSSEXUAIS. Uma coisa é certa, a anatomia favorece o sexo entre homem e mulher. E com isso gera vida.
Vejamos uma pessoa com ouvidos agudos vai ter uma percepção de mundo diferente de alguém com olfato apurado, que vai ter uma percepção diferente de alguém com qualquer outro dote. Uma pessoa com as mãos grandes e grosseiras vai ter uma experiência diferente de outras com mãos pequenas e delicadas. Anatomia e fisionomia mudam nossa relação com o mundo logo o corpo feminino sente a realidade diferente do corpo masculino. Por isso, ambos se completam, por que são diferentes.
Mas, claro que a sexualidade não se resume nisso, na genitália. Se pensarmos como sendo do isso ela se orna em nós destrutiva e resulta em frustração pessoal e alienação interpessoal. Quando a integramos ela se torna sadia e fomenta um crescimento criativo para as relações. Com isso entro em meu terceiro tópico: A VIRTUDE DA CASTIDADE.
Antes do Concilio vaticano II tinha-se a realidade Castidade como reguladora do apetite sexual, como vemos nesta frase de Haryj Davis : A castidade é a virtude moral que regula nos casados e excluídos nos solteiros todas expressão voluntaria do apetite sensível de prazer venéreo’’. Essa afirmação estaria correta se a única finalidade da sexualidade fosse a procriação, no entanto não é. Essa virtude não se limita ao ato em si, mas suas exigências são maiores. Ela marca toda a personalidade no comportamento, exterior e interior.
A castidade pode ser definida, então, como aquilo que transforma o potencial da sexualidade humana em uma força criativa e integradora no homem ou na mulher. Ela facilita as relações na comunidade. Torna possível o desenvolvimento intrapessoal e interpessoal.
Quando voltamos essa força interior, a sexualidade, apenas para o prazer, o sexo, a masturbação, dando a ela a finalidade de nos fazer ejacular nós abafamos a castidade e nos tornamos descontrolados. Perdemos o controle da cabeça. Como diria o Frei Robson Parafraseando a legenda Perusina : “ Óculos castos na cabeça de cima.’’
Ser casto não se da do dia para noite. Não será, ou é, um nó no cordão que me da essa virtude, mas brota: de um desejo pessoal; de querer viver aquilo que é vontade de Deus; de conhecimento do que é a sexualidade; de uma aceitação da própria sexualidade como dom de Deus fundamentalmente bom; de um respeito ao que é a sexualidade, que não é um mero acontecimento biológico, físico, genital e  emocional; de um conhecimento de que a busca pela sexualidade perpassa a vida inteira e deve-se estar aberto a aquilo que ela propõe; de uma intensa relação com o transcendente; de uma autodisciplina, sabendo que houve, há e haverá grandes lutas contra o nosso próprio eu.
Todos são chamados à castidade: clérigos, casados, religiosos, homossexuais, solteiros. Claro que será diferente a vivencia da sexualidade, mas em nenhuma forma de vida ela pode ser apagada ou suprimida, antes deve ser orientada para uma integridade, para criar laços e cumprir o mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outro...”
Esse é o convite que o Senhor nos faz: amar. Sem medo. Porque aquele que mais amou, com perfeição, entregou-se por inteiro a aquela que ele amava a Igreja. Esse é o convite que eu faço a vocês: amem. Só pelo amor nós chegamos a aquilo que é desejo de Deus, sermos perfeitos. Desejo esse que foi implantado no mais intima do nosso ser. Achemos aquilo que gostamos de fazer, que temos o dom e canalizemos nossa sexualidade, para assim ao entramos num quarto com uma mulher, com homem, tenhamos olhos castos, mente casta, espirito casto, corpo casto, e saibamos o que não podes fazer.

Da legenda Perusina: “Um rei piedoso e poderoso mandou sucessivamente dois mensageiros à rainha. O primeiro voltou e se limitou a referir palavra por palavra. Dessa maneira, os olhos do sábio tinham ficado na cabeça, sem cair para lugar nenhum. O outro voltou, e depois de ter contado as poucas palavras, narrou uma longa história sobre a beleza da senhora: Na verdade, senhor viu uma mulher belíssima. Feliz que quem pode aproveitar. Ele disse: Tu, servo mau, lançaste os olhos impudicos sobre minha esposa? É claro que estavas querendo comprar sutilmente o que admirastes. Mandou chamar de novo o primeiro e disse: “O que achaste da rainha”? Ele: Ótima, porque ouviu de boa vontade e respondeu sagazmente. E não há nela nenhuma formosura? Senhor meu, isso cabe a ti olhar; eu tinha que referir as palavras. O rei deu a sentença: Tu, casto de olhos, ficarás na camera com o corpo ainda mais casto. Mas essa outra “saia da casa, para não poluir meu leito”.
Agremiado 2º ano Flávio Ysmael R. Santos